Pular para o conteúdo principal

Crônicas da Noite de Lua Nova

Humanos sempre viveram suas vidas monótonas, presos a crenças e conceitos em cujas bases está o egocentrismo e o medo do desconhecido. E, sob as vistas e o julgo da sociedade, grupos tramam e executam em segredo. Assassinatos são encomendados, experimentos são conduzidos, existências são silenciadas em prol do bom funcionamento das engrenagens que mantém o mundo erguido. Atrelado a uma dessas engrenagens está Gabriel D'Arcan, um jovem que acredita estar condenado, e que só conseguirá alcançar o perdão executando em segredo, sob a luz fraca da lua nova...


Um presságio

I - O missionário

II - O herege

III - Sombra do passado


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

II - Reflexo

Icaro despertou com batidas na porta, seguidas pela voz da sua mãe que viera avisar que o almoço estava pronto. Percebeu então que havia cochilado, principalmente porque não havia desfeito sua bagagem. Levantou da cama, e foi em direção a janela do quarto, de onde sentia o vento morno daquele início de tarde acariciar seu rosto enquanto balançava os galhos do cajueiro que estava ao lado da janela, no quintal da casa. Virou-se para ir em direção a porta do quarto e sair, e só então notou o espelho que estava na parede atrás dele. Deu alguns passos, atento a imagem que o observava através do reflexo. Fitou com atenção aquele rapaz alto e magro, que usava botas e calça jeans. Usava também uma regata preta com os dizeres "No Future" e a imagem de um olho em branco-e-preto ao fundo. O rosto era claro, com pelos de barba surgindo aos poucos, e dois piercings na orelha direita. Mas o que mais lhe chamou a atenção foram os olhos, de um tom de verde muito intenso e bonito, mas que est...

3° Capítulo - A chuva que mudou tudo

O Colégio Luz da Alvorada era uma das poucas escolas que existiam naquela cidade de interior, e era a mais bem recomendada de todas. Apesar de ser pública, era preciso fazer uma prova para poder ser admitido como um aluno dela. A instituição tinha dois andares, um ginásio e um pátio gramado e com árvores frutíferas que ficava no centro da escola, o que ajudava a manter o local arejado e refrigerado, mesmo nos dias mais quentes. O cheiro de alguma fruta sempre impregnava os corredores do lugar, pois as árvores do pátio tinham safras em diferentes épocas do ano, e os alunos da escola sempre comiam as frutas de lá quando se esqueciam de levar lanche para a aula. Na frente da escola, ao lado do portão principal erguia-se uma torre com um grande relógio em cada uma das quatro paredes, e dentro dela um grande sino tocava quatro vezes ao dia: as seis da manhã, ao meio-dia, as seis da tarde e a meia-noite. Naquele fim de tarde uma garota andava solitária pelos corredores da escola vazia. Por s...

2° Capítulo - Uma tempestade no almoço

Quando se assume o compromisso ser responsável por uma criança, espera-se ser capazes de proteger e cuidar dessa criança da melhor maneira possível. Alguns acabam sendo relapsos com esse compromisso, e alguns sequer chegam a enxergar o tamanho da responsabilidade que tem em mãos. E alguns tentam desempenhar essa tarefa de uma maneira tão determinada que acabam não vendo quando deixam de cuidar, e começam a machucar.           Brendan chegou a cozinha, e só então se deu conta que ainda estava usando as mesmas roupas desde o dia anterior. Uma calça jeans escura, uma camisa cinza com uma linha preta na horizontal e uma na vertical que se cruzavam sobre seu peito direito, e um par de botas pretas simples, um presente de seu pai. O rapaz sentou-se a mesa, na cozinha e sala de jantar. A mesa era circular, e haviam três cadeiras  em volta dela, uma agora ocupada por Brendan, outra por John, que segurava um talher em cada mão e os batia na mesa, como uma criança cl...