Estava deitado, com o queixo apoiado no travesseiro, e os braços projetados para a frente. Entre suas mãos, o celular, exibindo a última mensagem da conversa com o misterioso Serpente Marinha. Segundo ele, havia discutido com sua família. Zack entendia bem como desavenças familiares podiam machucar. Por isso chamou seu correspondente para sair. Mas não pode evitar de se sentir desconfortável com toda aquela situação. Virou-se, passando a encarar o teto do quarto, azul escuro com respingos brancos e amarelos, que tentavam simular um céu estrelado. Sentiu o vento entrar pela janela aberta, e percorrer todo o seu corpo nu, fazendo sua pele arrepiar ligeiramente. Se questionou se valeria mesmo a pena "entrar nos problemas de outra pessoa". Porém estava curioso para saber a verdadeira identidade daquele misterioso que se autonomeara "Serpente Marinha". E sabia que, se o resultando fosse desinteressante, ou fosse lhe trazer algum tipo de problema, poderia apenas se despedir dele e aproveitar o restante do seu dia de folga. Se o encontro desse errado, poderia comprar uma garrafa de bebida em algum mercado e passar o dia bebendo no quarto, aproveitando esse dia como costumava fazer em todos os seus dias de folga.
Combinou com o seu correspondente de se encontrarem na Estação de Metrô Arqueiro. Zack aguardava sentado em um banco, olhando para os lados. Usava uma calça jeans rasgada sobre o joelho direito, um par de botas estilo militar, e uma regata preta rasgada nos ombros com uma caveira envolta em chamas azuis estampada. Quando criou a logo do estúdio Blue Flames, a três anos atrás, Marcos ficou tão empolgado que encomendou uma camiseta para cada com aquela arte estampada. Zack não teve coragem de dizer na época, mas detestou a peça. Então rasgou as mangas fora, e o resultado foi mais agradável. Ou, pelo menos, agradável o bastante para que ele aceitasse usar a peça esporadicamente. Estava aguardando uma pessoa que, segundo a descrição dada por ela mesma, estava com uma calça moletom escura e uma regata branca. Começou a devanear, imaginando como seria ele. Gordo, talvez? Não. Até onde sabia, dificilmente um homem acima do peso se sentia a vontade de regata. Alto? Seria interessante, pois sabia que era incomum achar alguém mais alto que ele, em seus um metro e oitenta e oito. Preferia que a pessoa avisasse por mensagem quando chegasse, mas segundo ele, não poderia levar o celular por não se sentir seguro ao sair de casa com o aparelho. Não podia julgá-lo. A cidade em que viviam não é uma das mais seguras do mundo. Instintivamente, Zack levou sua mão direita ao seu rosto, tocando gentilmente a cicatriz abaixo de seu olho direito.
- Oi? - Ouviu uma voz chamar ao seu lado.
- Oi. - Virou-se. Era um garoto loiro usando uma calça moletom escura e uma regata branca. - Oi! Você é o...? - Uma coisa no garoto chamou sua atenção: uma tatuagem de uma serpente marinha dando a volta em seu bíceps esquerdo. Levantou-se - Espera, eu conheço essa tatuagem. Você é o guri da quarta-feira!
- É... Sou... - O rapaz respondeu, desviando o olhar para baixo enquanto mexia na parte de trás do cabelo com a mão. Parecia um personagem de desenho animado. Estava ficando corado.
- Caramba, que mundo pequeno. - Disse Zack, rindo brevemente. Se sentia menos receoso agora. - Agora o "Serpente Marinha" faz sentido. Simples, porém bem esperto. - Riu um pouco mais. - André, né?
- Meu nome é Arthur... - O rapaz ficou visivelmente desconfortável. Mas não tinha culpa. Costuma atender pelo menos cinco pessoas por dia. Não conseguia aprender o nome de todos.
- Tipo o Rei Arthur? - Brincou.
- Exatamente por causa dele.
- Okay. Então, "Rei Arthur", onde vamos?
- Hein?
- Ué, pensei que seria melhor pra conversar se fossemos a algum lugar específico. Algo me diz que você precisa desabafar. Do contrário não teria saído escondido de casa.
- Como sabe que eu saí de casa escondido? - Indagou Arthur, visivelmente surpreso.
- Cabelo bagunçado. Roupa amassada. E a marca de pó de tinta de muro na perna da sua calça. - Zack respondeu sem olhar para o rapaz, mantendo o foco em um mapa da cidade com as linhas de metrô em destaque, que estava em um quadro ao lado do banco onde estava sentado. Arthur olhou para baixo, e viu a marca branca na perna direita de sua calça. Começou a limpar, dando tapas no tecido. Zack estava habituado a esse tipo de atitude. Perdeu a conta de quantas vezes saiu escondido da casa de seus pais durante sua adolescência. - Onde você costuma ir quando sai?
- Ao shopping. - Respondeu Arthur, indo para o lado de Zack.
- O UpTown? - Perguntou, pondo o dedo indicador sobre a parte do mapa que indicava a localização do shopping onde trabalha.
- Exato.
- E costuma ir a casa de algum amigo?
- Sim, o Marcelo.
- Hum... Marcelo? - Disse Zack, dando um breve olhar malicioso, e depois rindo ao ver o rosto do garoto corar enquanto ele desviava o olhar. - E onde ele mora?
- Aqui, no Oliveiras. - Arthur pôs o dedo em uma rua no centro do bairro ao lado do bairro em que estavam. Suas mãos estavam relativamente próximas.
- Ambos na região norte. O que quer dizer que não podemos escolher nenhum lugar nessa região. Pra onde vamos? - Perguntou para si mesmo, baixo, enquanto ouvia o som de um metrô parando atrás deles e abrindo suas portas. Ouviu duas vozes femininas conversando em japonês atrás dele, dentre as vozes das pessoas que desciam do veículo. - Já sei! Vem!
Zack segurou a mão do rapaz e o puxou para dentro do vagão do metrô, enquanto soava o apito que indicava o fechar de portas. Sentaram-se, e o veículo começou a se mover.
- Então, onde vamos? - Questionou Arthur, levemente incomodado.
- Vai saber já já. Enquanto isso, quer falar um pouco mais sobre o que aconteceu agora pela manhã? - Zack virou-se, olhando fixamente nos olhos do garoto. Ele tinha olhos castanho-claros, quase como mel, ou talvez algo mais claro. Eram muito bonitos e brilhantes, e combinavam muito bem com o cabelo loiro ligeiramente bagunçado dele. Viu o rosto do rapaz corar novamente, talvez por estar sendo encarado.
Zack ouviu atentamente enquanto o garoto narrava toda a discussão com seu pai. Quando terminou, parou um instante para absorver toda a informação.
- Você tomou café da manhã, pelo menos? - Perguntou, por fim.
- Sim, comi dois pêssegos.
- Ótimo. Eu ainda não comi nada, mas vamos resolver isso já. Vem. - Disse Zack, levantando no momento em que o veículo parou de se mover.
Os rapazes desceram do vagão e saíram da estação subterrânea, sentindo seus narizes sendo invadidos pelo forte aroma de molho shoyu e yakisoba, enquanto os olhos se reabituavam a luz forte do sol daquela manhã e as muitas cores dos balões, tecidos e fitas espalhadas. A saída da estação ficava na esquina de um cruzamento. Nas quatro direções, diversas casas e estabelecimentos comerciais com arquitetura completamente diferente do restante da cidade. Construções com o estilo tradicional do Japão, em tons fortes de madeira. Algumas das pessoas que andavam pelas ruas, independente de ter traços asiáticos ou não, usavam trajes tradicionais da cultura nipônica, enquanto outros usavam peças mais casuais.
- Então... - Zack começou, segurando na mão de Arthur e o puxando. O garoto ficou visivelmente corado. Estava começando a achar aquela reação fofa. - Eu não sei o quanto você sabe sobre esse lugar...
- O parque Jardim Kyoto foi criado em 1910, como uma forma de demonstrar receptividade aos imigrantes japoneses que se mudaram para o país durante o período da "imigração subsidiada". Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, aproximadamente vinte anos depois, o governou fechou os portos para a entrada e saída de japoneses. Como compensação, visto que o prefeito da época, Gregorio Lins, não concordava com essa decisão, as terras em torno do parque foram cedidas aos imigrantes, para que ocupassem e construíssem aqui o seu "novo lar". O bairro inteiro passou a ser conhecido então como Jardim Kyoto. - Respondeu Arthur, quase que automaticamente.
- Yeah... - Babulciou Zack encarando o rapaz, tentando recuperar a linha de raciocínio. Não esperava por uma aula de história local as dez da manhã de um sábado. - O que eu ia dizer é que você precisa provar os dangos da Himika. São maravilhosos.
- Provar o quê de quem?!
- Vem logo! - Disse o tatuador, puxando Arthur pela mão.
Guiou o garoto loiro pelas rua por menos de cinco minutos, até chegarem a uma barraca de madeira vermelha com balões de papel colorido pendurados. Uma jovem moça asiática de longos cabelos negros atendia, usando algum tipo de vestido vermelho que lembrava muito um kimono. Zack a conhecia a bastante tempo. Três anos, para ser mais exato. Marcos o levou para comer lá quando conseguiu o tirar de casa pela primeira vez após o "Evento Samael". Cumprimentou Himiko, e pediu o de sempre: duas porções do doce com um copo de chá verde. Pediu o mesmo para Arthur, que estava ocupado absorvendo todas as cores e aromas do lugar, assim não prestando atenção ao que Zack conversava com a jovem vendedora enquanto ela servia o pedido em dois recipientes de plástico e entregava à Zack.
- É a primeira vez que trás alguém aqui. É um encontro? - Perguntou a moça, disfarçando um risinho.
- É uma missão de resgate. Estou resgatando ele da própria família. - Respondeu Zack, rindo, enquanto pagava o pedido e entregava um dos recipientes ao Arthur.
- Bem, espero que aproveitem. - Himiko sorriu, enquanto servia 2 copos de chá verde.
Aquela, sem dúvidas, era uma das cenas mais engraçadas que o Zack já presenciara em anos. Arthur estava visivelmente confuso com a comida. Eram quatro palitos com quatros bolinhos claros espetados em cada um, cobertos com um tipo de calda com cor de caramelo. Chegava a ser fofo.
- Olha, faz assim. - Disse Zack, chamando a atenção do garoto, enquanto pegava um dos espetinhos e levava a boca, comendo um dos bolinhos de uma vez só.
- Eu sei como se mastiga, tá? - Retrucou Arthur.
- Não parece. - Rebateu Zack, com a boca cheia.
Observou enquanto o rosto de Arthur ficava corado novamente. O rapaz imitou ele, colocando um bolinho inteiro na boca e mastigando. Conseguiu ver nitidamente o olhar do garoto brilhando ao descobrir o sabor doce do bolinho misturado ao agridoce da calda. Não queria atrapalhar aquele momento em que seu ex-cliente degustava uma de suas iguarias favoritas, então esperou ele acabar de comer para voltarem a conversar.
- Você nunca veio ao Jardim Kyoto antes, né? - Perguntou Zack, quando acabaram de comer e voltaram a caminhar pelas ruas do bairro.
- Não... - Arthur baixou o olhar. - Além da zona norte, acho que o único lugar que fui foi a Praia da Esperança.
- Nossa... - Zack sentia uma leve pontada no peito sempre que ouvia o nome desse lugar. - Bom, vamos mudar isso então. Faz bem conhecer lugares novos. E, pra mim, esse é um dos melhores da cidade.
Os dois caminharam entre as lojas por mais um tempo, comentando sobre os produtos expostos de uma cultura tão diferente, e quando chegaram próximos a uma esquina, Zack viu uma viatura da polícia passar, com dois oficiais olhando atentamente. Pareciam estar procurando alguém. A cena causou uma certa estranheza no homem, já que as viaturas não costumam adentrar tanto na área comercial do bairro.
- Ei, vamos olhar essa loja! - Arthur repentinamente puxou-o para dentro de uma loja à esquerda deles.
- Ahm... Tá. - Respondeu Zack, já sendo puxado.
Dentro da loja, diversos itens de decoração cheios de detalhes e cores estavam expostos. Tons vermelhos, branco, e dourado predominavam ali, com a exceção de algumas peças de madeira. Em uma parede repleta de pratos e pinturas, um quadro chamou a atenção de Arthur. Sob o laranja e lilás de um por do sol em um píer, dois garotos corriam de mãos dadas. Parecia que um estava guiando o outro, puxando-o enquanto corria de costas, encarando seu acompanhante.
- Os amantes do passado. - Disse uma voz gentil atrás dos rapazes. Se viraram. Uma senhora asiática em trajes tradicionais amarelados, e o cabelo grisalho preso em um coque, estava estava atrás deles, com uma expressão gentil no rosto. Provavelmente era a dona da loja.
- O que disse? - Perguntou Zack.
- É uma lenda antiga. Meus pais me contaram. Na década em que os refugiados chegaram aqui, em uma tarde, as pessoas que estavam no píer viram surgir dois garotos correndo de mãos dadas. Eles apareceram do nada, como se fossem carregados pelo vento. E como vento, desapareceram, correndo.
- Fantasmas? - Questionou Zack, mais para si mesmo do que para a senhora.
- Nunca souberam. Alguns dizem que eram espíritos. - Disse a senhora, em seguida se afastando para atender outro cliente.
- Eu achei bem bonito. - Disse Zack, virando-se para o Arthur.
- Ah, sim... Verdade... - Respondeu o rapaz, meio desconcertado.
- O que foi? Porque você quis entrar aqui tão de repente?
- Hã... É que eu pensei ter visto... Alguém familiar...
- Entendi. Vamos pro jardim então. Lá é aberto, e uma área maior. Talvez seja mais difícil de te acharem lá. - Zack disse, dando uma leve risadinha.
Saíram da loja e voltaram a caminhar pelas ruas movimentadas do bairro nipônico. Comentavam sobre cada loja e cada produto que parecia ser novidade para o Arthur. Ficaram tão absortos nisso que não reparara a manhã dando lugar a tarde. E Zack era obrigado a admitir: não estava sendo ruim como ele imaginou que seria. Aquele rapaz, Arthur, o cativara de alguma forma que não sabia explicar. Talvez fosse pelo corpo, bonito, apesar de não ser definido. Seria o jeito dele? Possivelmente, afinal conseguia sentir alguém "verdadeiro" em cada passo e cada gesto. Não é como os outros caras com quem já saiu, os quais sempre era possível sentir segundas ou terceiras intenções por trás das palavras. Ele genuinamente quer estar ali, e aparentemente está gostando disso. E sua voz... Não sabia explicar bem o que, mas há alguma coisa na voz dele que o atrai. Para Zack, ela era quase magnética. E, enquanto pensava sobre o que o havia cativado tanto no garoto, sentiu uma escuridão surgir em seu peito, seguida por uma sensação de frio.
" - É claro que eu vou estar sempre aqui por você. - As palavras foram projetadas por uma boca sorridente, enquanto um homem de cabelos loiros curtos e olhos verdes ria. - Afinal..."
Zack parou. Estava suando e arfando. Sua respiração estava irregular, e seu coração batia forte.
- O que houve? Tá tudo bem? - Perguntou Arthur, parando ao lado dele e usando sua mão para apoiar o peito de Zack, forçando-o a ficar reto.
- Tá... Tá tudo bem. - Mentiu. - Acho que foi só a minha pressão que caiu. - Forçou uma risada. - Comi demais sabe? Aí o sangue foi todo pro estômago... - Precisava mudar de assunto. - Olha, o jardim está bem ali. - Apontou para a frente, desviando a atenção de seu acompanhante.
Caminharam em direção ao final da rua, vendo surgir diante deles um grande parque gramado, aberto, com árvores enormes espalhadas. Cerejeiras, com folhas de um belo verde vivo, projetavam suas sombras em áreas amplas em torno de seus troncos. Sob as sombras, algumas famílias faziam piqueniques, grupos de pessoas conversavam, algumas crianças brincavam e jovens ensaiavam coreografias ao som de músicas animadas. Por todo o lugar, um aroma refrescante e levemente adocicado era trazido pelo vento. Um riacho dividia ao meio o parque, e 3 pontes em pontos diferentes do parque o cortavam por cima. No centro uma grande árvore se destacava, provavelmente a maior de todas, e de sua sombra um casal se levantava e dobrava o tecido que estavam usando para fazer um piquenique.
- Bem vindo ao Jardim Kyoto. - Zack sorriu para o Arthur. - Vem, vamos pra lá antes que alguém chegue antes. - Apontou para a árvore no centro, segurando Arthur pela mão e o puxando.
Correram sob a luz e o calor do sol daquela tarde, chegando então à arvore. Enquanto recuperava o fôlego, aproveitaram para apreciar a vista dali. Era possível ver quase metade do parque, e uma boa parte das ruas do bairro. Eram uma sensação de estar exposto, porém sabendo que não seriam vistos. Zack sentou-se encostado no tronco da cerejeira, e bateu na grama ao seu lado, convidando o garoto para sentar ao seu lado. Enquanto Arthur se encostava no tronco da árvore, o tatuador abriu o braço, fazendo com que o rapaz ficasse encostado em seu ombro, enquanto mexia em seu cabelo loiro bagunçado com a mão. Não precisava olhar pro rapaz para saber que ele estava corado. Conseguia sentir sua pele esquentando pelo toque no ombro.
- Então... Porque não me fala um pouquinho de você e dessa confusão com seus pais. Pelo que a gente tem conversado, você me pareceu ter uma vida tão de boas...
- Minha vida não é assim tão boa quanto você pensa. Sabe, eu sempre tive que ser o filho perfeito. O estudante perfeito. Ser como meu pai perfeito, e seguir um dos dois caminhos perfeitos que ele escolheu pra mim: medicina ou direito.
- E isso é tão ruim assim? - Não pode evitar de perguntar, e não pode tirar a razão do olhar de reprovação que recebeu de Arthur. Porém, aparentemente, o rapaz entendeu que sua dúvida era genuína. Seu olhar mudou, ficando distante, quase triste.
- Eu não consigo pensar em um motivo pelo qual meus amigos tenham decidido ser meus amigos. Nunca fui alguém do tipo que se destaca na multidão. Nem sempre minhas notas são as melhores da turma. Não sou membro de nenhum dos times de competição colégio, e nem dos grupos mais populares. - Ele baixou a cabeça, e começou a puxar folhas de grama do chão. - Então, ao meu ver, é estranho que repentinamente os filhos de algumas das maiores autoridades da cidade tenham decidido fazer amizade comigo. Sem contar que minha vida inteira sempre pareceu ser "controlada demais". Hora exata para tudo. Sem discussões em casa... Até hoje, pelo menos... É como se não fosse bem uma vida, mas um tipo de treinamento...
Zack conseguia ver, finalmente, o que no garoto o cativara tanto: semelhanças. Podiam não ter tido a mesma criação, mas tinham os mesmos sentimentos quanto as suas famílias e ao mundo. Por isso o olhar dele havia chamado tanto sua atenção. Além da bela cor clara, eles também eram distantes, como os seus eram...
- Eu entendo... De verdade... - Parou de acariciar seus cabelos, e o encarou por alguns segundos. O brilho naqueles olhos quase dourados, que refletia de leve a luz do sol da tarde, enquanto o vento soprava e carregava consigo as folhas e o cheiro da madeira da cerejeira. E depois, quase que por instinto, Zack levou seus lábios de encontro aos de Arthur.
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