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I - O Heremita

Na estação, fortes cortinas de vapor branco sobem do motor e das engrenagens de baixo do trem recém chegado. Dentre os passagens que descem do veículo, um rapaz de cabelos castanhos e casaco preto caminha tranquilamente. Seu rosto é a expressão do alívio. Finalmente havia chegado àquela cidade, que ele carinhosamente apelidou de "fim de mundo".


Um romance convencional provavelmente começaria descrevendo a Universidade de Hillanon como uma das melhores instituições de ensino superior do país, com professores dedicados e boa infraestrutura e alunos aplicados. Bem... Não há como negar que a infraestrutura de fato é boa, ou pelo menos satisfatória, mas o restante não é tão bom assim. Na verdade, essa universidade é um tanto quanto mediana. Faz pelo menos 10 anos desde a última vez que ela esteve entre as 30 melhores instituições de ensino do país, convenientemente ocupando a 30° posição. Os professores, no geral, eram velhos cansados ou adultos de meia-idade sem muitas expectativas, que acabavam optando por lecionar ali justamente por saber que não haveria tanta cobrança por produtividade. E os estudantes não eram muito diferentes. A maior parte ingressou movidos pelos sonhos de seus pais. Famílias que criaram suas próximas gerações com projeções de carreiras de prestígio e fama. Quando um pai ou uma mãe enchia a boca para falar que sua prole havia decidido por fazer medicina, engenharia, direito, ou qualquer outra dessas carreias saturadas, ficava evidente que o motivo de orgulho não era a escolha do jovem. O motivo de orgulho era o sucesso na transferência de expectativas. E era justamente a falta de genuidade na vontade de estar ali que tirava o foco de estudos. As festas. As farras. As drogas. As faltas nas aulas da manhã. As transa, que por vezes acabavam evoluindo para orgias. No fundo, no fundo, aqueles jovens sabiam que isso acontecia porque eles não queriam estar ali estudando o que estavam estudando. Ou, pelo menos, a maior parte sabia.

Era início do período letivo, e o anfiteatro estava lotado como sempre. A maioria dos jovens ali presentes eram calouros, animados pelo fato de estarem realizando o sonho de ingressar no ensino superior. A outra parcela, menos da metade, era de veteranos que não prestavam a menor atenção as orientações do reitor para aquele ano, pois estavam ocupados avaliando os calouros como peças em um açougue, e discutindo entre si suas escolhas. Nick conseguia sentir os olhares passando por ele, pelos 10 sentados a sua esquerda, e pelos outros 40 sentados a sua direita. Era uma sensação desagradável. Respirou fundo, tentando voltar a se focar nas orientações passadas pelo reitor, que parecia se esforçar pra falar com clareza. Era um homem velho, com uma postura arrogante, e metade do rosto paralisado por um derrame após a sua eleição, segundo as fofocas que ouviu quando um grupo de veteranos passou por ali, a uma hora atrás.

O monólogo se estendeu por mais uma hora, quando se encerraram as considerações do dirigente da instituição para aquele ano, e os próximos anos de sua gestão. Em seguida, a maioria dos estudantes foi dispensada, ficando apenas os estudantes calouros que haviam chegado de outras cidades para estudar ali. Seriam apresentados ao sistema de residência da universidade, as suas regras, e então apresentados a suas acomodações e seus colegas de quarto. Nick olhou para o céu, claro e sem nuvens. Se arrependeu de ter confiado no frio das montanhas que o trem percorreu à caminho daquele lugar, e tirou o casaco negro que vestia. Achava que seria inadequado estar na recepção da universidade de calça e regata preta, mas a quebra à suposta norma de vestimenta era melhor do que passar mal pela temperatura do dia. Após mais uma hora de orientações das supervisoras de gestão interna da instituição, foram dispensados. A recomendação final era de que fossem à seus novos aposentos deixar as malas, e em seguida fossem ao refeitório, entretanto não era difícil imaginar que o lugar estaria inconvenientemente cheio. Dezenas de alunos calouros, famintos e ansiosos por iniciar sua vida acadêmica e ainda conhecendo o campus que outra centena de estudantes já frequentava. Definitivamente não era a tarde que Nick desejava para chamar de “sua primeira” naquele lugar. Então, o rapaz se dirigiu a sua nova acomodação, e lá ficou. Ainda tinha um lanche guardado em sua mala.

A Universidade de Hillanon possui uma infraestrutura muito boa, e as residências para os estudantes de fora da cidade e sem família não foge a essa regra. Ao lado da entrada principal do campus, que tinha um tamanho semelhante ao de uma cidade de interior, fora construído um conjunto de dezenas de casinhas iguais, que muito lembrava algum tipo de condomínio. Aquelas eram as residências para os alunos “residentes”, o título politicamente correto para órfãos, ou para aqueles que haviam abraçado o sonho de seus pais com tamanha paixão que estavam dispostos a se mudar para aquela cidade e ali morar por pelo menos 4 anos só para realiza-lo. As “casinhas” eram cômodos bem simples, com uma sala que servia de quarto, pois comportava um armário e duas camas e uma mesa quadrada com duas cadeias. Ao lado da sala, uma cozinha pequena e mobiliada com tudo que seria necessário para dois jovens adultos, incluindo microondas e máquina de lavar roupas, e ao lado um banheiro. Os três espaços eram interligados por um corredor, que servia como “centro” da casa, e que ao final, após a porta do banheiro, continuava por uns 3 metros, com uma série de cabos de aço presos no alto, servindo como varal. Nick ficou um pouco surpreso ao ver tudo isso quando entrou na residência 01, à qual fora designado. Riu baixinho ao saber o número da residência, pois imediatamente lembrou que esse era o número da carta de tarot O Mago. Talvez fosse um sinal, mas talvez acabasse sendo seu infortúnio também, já que era uma das primeiras casas para quem chegava à área residencial da universidade. Tentou não pensar nisso enquanto encarava a cueca samba-canção preta com estrelinhas na cama ao lado da porta. Sem dúvidas aquela peça pertencia a seu novo “colega de quarto”, que poderia te-la deixado ali para marcar território, visto que a cama estava com os lençóis perfeitamente dobrados. Sendo assim, a cama que restava era a que estava encostada na parede oposta à porta, o que era péssimo, pois indicava que qualquer um poderia ve-lo dormindo caso seu colega se descuidasse com a porta aberta. Teria que reaprender a dormir vestido.

- Posso ajuda-lo?

Nick sobressaltou-se de susto, e se virar para trás, de onde a voz viera, se deparou com um homem negro e de porte atlético.

- Hã, oi! Boa tarde! – O rapaz disse, desconcertado. – Estava só olhando a minha nova... Casa? – Riu, sem graça, com as sobrancelhas arqueadas. Era estranho pronunciar aquela palavra, já que passou semanas fugindo dela.

- Ah, você é o meu novo colega! – O homem parecia surpreso e animado pelo encontro repentino. – Prazer, sou Jason. – Ele estendeu a mão, como forma de cumprimento.

- Prazer, sou Nicholas. – Nick apertou a mão do seu novo colega de quarto com um riso nervoso e um certo receio. Não estava habituado aquele tipo de interação. – Mas pode me chamar só de Nick.

- Tá com medo de alguma coisa, Nick? Pode apertar firme! – Disse Jason, balançando a mão durante o cumprimento, e encarando o novo colega de quarto.

- Desculpa, é que eu tô um pouco nervoso. – O rapaz soltou a mão de Jason e riu, nervoso. Esse tipo de interação social realmente não o agradava, mas se esforçou para manter a postura e o clima.

- Tudo bem. Então... Quer ajuda pra se situar e guardar suas coisas?

- Claro.

Ao longo das 2 horas seguintes, Nicholas descobriu que Jason era um estudante do quarto ano de História, e que adorava ler sobre culturas nativoamericanas. Jogava no time de vôlei da universidade, o que explicava o seu corpo forte. Obviamente Jason também quis saber mais sobre o Nick, mas o rapaz explicou que não se sentia a vontade para falar sobre o próprio passado.

- Então você veio para cá fazer Ciências Biológicas porque gosta de Botânica? - Jason indagou, deitado em sua cama.

- Sim. - Afirmou Nick, atravessando a sala-quarto, tentando abrir um pouco mais as altas janelas da acomodação.

- E porque você escolheu justo essa universidade? - Jason pegou um livro na mochila aberta ao lado de sua cama, e começou a ler.

- Porque é mais perto da cidadezinha onde meus pais moram. - Mentiu. Sua família não vivia sequer naquele país.

- Entendi... Legal querer ter essa proximidade deles. E parabéns pelo ingresso na universidade.

- Obrigado. Caramba, que calor...

- Realmente, hoje tá bem quente... Escuta, se quiser, pode ficar sem camisa. Não precisa ficar constrangido. - Jason riu, deitado na cama do outro lado do cômodo.

- Ah, eu não sei... - Nick riu de nervosismo com a proposta. - Me sinto um pouco tímido.

- Bem, se eu tirar a camisa, você tira também? - Jason propôs.

- Pode ser...

O rapaz deitou o livro ao seu lado na cama, sem fecha-lo, e em seguida se sentou para tirar a peça de roupa. Depois, deitou novamente, dessa vez virado na direção do Nick. Jason tinha um corpo forte e bem definido, sem pelos no tronco.

- Pronto. Sua vez. - Disse, apoiando a cabeça na mão.

- A mesma regra vale pra calça? - Nick perguntou, na esperança que a pergunta fosse um indicativo de seu interesse.

- Claro... - Jason sorriu, se mexendo um pouco na cama.

Nick tirou sua regata preta, revelando seu tronco simples e com poucos pelos curtos. Não era muito atlético, e nem musculoso. Tinha um corpo bem comum, de pele clara mas marcada pelo sol, e uma cicatriz fina no peito esquerdo. Em seguida, tirou a calça, deixando a mostra um par de pernas razoavelmente fortes, com pelos curtos também, e uma cueca boxer vermelha. O rapaz olhou para Jason, e notou que ele estudava seu corpo. Seus olhares se encontraram, e o rapaz sorriu tímido.

- Bem, como eu não estou de calças, então tecnicamente já cumpri a minha parte. - Jason riu, dobrando uma das coxas para evidenciar que estava usando uma bermuda cinza.

- Ei, isso é injusto! - Nick protestou.

- Ha ha ha, calma. É sério. Acho melhor eu não tirar. - Jason assumiu uma expressão um pouco tímida enquanto falava.

- Por que? - Nick cruzou os braços. Detestava quando quebravam acordos.

- Por isso... - Jason levou uma mão até a cintura, e baixou um pouco a bermuda. Estava sem cueca.

Nick sentiu o rosto ficar quente, e desviou o olhar. Sabia que devia estar visivelmente corado, mas não sabia dizer se a causa era aquela revelação que não tinha nada de especial, ou a visão do membro do seu colega marcando o tecido da bermuda. Sentiu o seu próprio membro reagindo dentro de sua cueca. Precisava falar ou fazer algo para quebrar o silêncio constrangedor que começava a se formar antes de seu colega. Respirou fundo.

- Fizemos um trato. Se você não tirar, eu vou aí e tiro.

- Nossa! - Jason se surpreendeu, e em seguida foi baixinho. - Tá bem, tá bem. Calma. Não precisa me bater.

Nick viu seu colega se curvar, retirando a bermuda. Se a parte de cima do corpo de Jason era atlética, as pernas era ainda mais fortes.

Não tinham pelos, assim como o tronco. E, em sua cintura, seu pau meio-bomba pendia para baixo, quase tocando o colchão.

- Satisfeito? - Perguntou Jason.

- Agora que cumpriu o acordo, sim. - Nick sorriu de volta, contemplando aquela visão mais um pouco.

- E então? Não vai tirar também? - Perguntou Jason, depois de alguns segundos.

- Por que? - Nick arqueou uma sobrancelha. - Não lembro de ter falado nada com você sobre tirar a cueca, e não é culpa minha que você já estava sem.

- Que cruel.

- Nem tanto. Mas talvez eu possa tirar. O que eu ganho em troca? - Nick sorriu maliciosamente, e fez Jason rir baixinho com isso.

- Tá bom. - Disse o homem negro, sentando-se na cama com as costas apoiadas na parede, as pernas abertas e uma dobrada. - O que você quer?

- Nada demais. - Nick sorriu, sentindo seu membro dar um pulo dentro da cueca com aquela visão. - Apenas fique assim por mais alguns minutos.

O rapaz andou em direção a sua bolsa, guardada dentro do armário, e dela tirou uma câmera polaroid. Voltou a ficar de frente para Jason, e tirou uma foto dele. Depois, colocou a câmera e foto recém revelada na sua cama, e ao lado sua cueca boxer vermelha. Seu membro estava ereto, e como não era muito curvado, parecia apontar para o colega de quarto.

- Satisfeito? - Nick perguntou dessa vez, andando em direção ao colega.

- Agora sim está justo.

O rapaz subiu na cama do colega, sentando-se sobre suas pernas, e o beijou. Sentiu as mãos dele sobre suas costas, puxando-o contra o corpo dele, e forçando seu pau contra a barriga dele. Nick sorriu. Pelo visto, o número de sua residência foi bom presságio no final das contas.

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